terça-feira, 21 de junho de 2016

A Discípula


A  D I S C Í P U L A

Às irmãs da Escola Jesus Cristo.

 
No tempo de Jesus, ao pé do Tiberíades, havia uma mulher humilde e pobre, que havia conhecido o Senhor e se fizera sua amiga devotada, nas horas mais amargas de sua passagem pela Terra.

Conheciam-na como a Discípula de Jesus, vivendo das recordações carinhosas e ternas do Cordeiro.

O Mestre havia expirado na Cruz, seus apóstolos haviam se dispersado no mundo e a Galileia era, agora, um deserto verde, cheio de sol, onde o lago famoso era uma taça de lágrimas cristalinas, vertida pela natureza, em memória d’Aquele que lhe preferira os encantos singelos, distante das vaidades materiais.

A Discípula, porém, amava ao Messias e estava ali para servi-Lo, com a sua dedicação.

Peregrinos de longe batiam-lhe à choupana agreste, aberta constantemente às criancinhas e aos desamparados da sorte, com quem repartia o pão minguado de sua existência honesta.

Se as provas eram amargas, Jesus era a claridade confortadora de sua vida.

Anos passaram...

Na sua região, a Discípula era um símbolo de humildade e de trabalho, de caridade e de alegria.

Certa tarde, a filha da Galileia abandonada sentou-se ao pé de seu casebre triste. Seu coração, cansado de bater, recordava na sombra as lições do Messias.

Era a hora em que a natureza se aquietava, como ovelhinha mansa, para lhe ouvir a palavra tocada de suave mistério.

Parecia-lhe rever o Senhor, junto do lago extenso. Sentia-se em retorno à mocidade distante e inclinava-se ante a Sua figura Inesquecível.

Em dado instante, contudo, um leve ruído despertou-a. Aproximava-se um mendigo. As sombras do crepúsculo não lhe permitiram divisar seus traços fisionômicos, mas, os peregrinos eram tantos, que não constituía surpresa recebê-los, no seu pouso singelo, em todos os instantes do dia.

- Entra irmão! – Exclamou a serva de Jesus, com um sorriso bondoso. O mendigo penetrou o umbral, abençoando-a com um olhar de luz, que brilhava entre os trapos de sua vestidura como uma estrela divina.

A Discípula deu-lhe pão e um tapete humilde para o repouso das chagas dolorosas que lhe sangravam o corpo, encorajou-o com palavras de bondade e lhe falou das bem-aventuranças que o Evangelho do Senhor prometera aos mansos e aos aflitos.

O peregrino escutou-a com atenção.

- Vives só? – Perguntou ele, com inflexão de ternura.

- Vivo com Jesus! – Respondeu a serva do Senhor, com humildade.

- E não tens ninguém no mundo?

- Quem vive na fé do Messias Nazareno trabalha e espera em Sua Bondade, com profunda alegria.

- Nunca recebeste as felicidades da Terra?

- Nunca, porque espero as do Céu, onde Jesus nos promete as venturas eternas do Seu Reino.

- E tens fé?

- Sim, porque pelo Senhor troquei todas as alegrias materiais.

O mendigo observou-a em silêncio, como se, agora, estivesse absorvido em longas meditações.

- Tenho sede! – Disse ele, em tom de rogativa.

A Discípula lhe trouxe a água clara e fresca do cântaro.

- Doem-me as chagas pela caminhada penosa!... – Gemeu o peregrino suplicante.

A Discípula preparou um vaso de água limpa para lavar-lhe as úlceras dolorosas. Sua casa, porém, era paupérrima e não teria uma toalha conveniente para a operação necessária. Mas, de repente, lembrou-se que, um dia, observara Madalena enxugando os pés do Senhor com os anéis dos seus cabelos.

Por que não faria o mesmo com o desventurado do caminho? Jesus não recolhera todos os pobres e desventurados da sorte sobre o mundo?

Sem hesitar, depois de banhar-lhe as chagas sangrentas e doloridas, enxugou-lhe os pés com a toalha de seus cabelos abundantes, mas, nesse momento, observou que as úlceras do mendigo tinham sinal dos cravos da cruz!... Surpreendida, levantou o olhar, mas não viu mais o peregrino triste e esfarrapado... À sua frente, Jesus de Nazaré lhe estendia os braços amorosos, aureolado na luz de Sua Majestade Divina.

- Mestre!... – Exclamou a serva humilde, embriagada de júbilo, com a mais forte das emoções a estrangular-lhe o peito oprimido.

- Vem, filha!... – Exclamou o Senhor, amparando-a nos braços cariciosos, com o Seu divino sorriso.

A Discípula sentiu que a transportavam a um país misterioso e sublime, onde o seu coração aliviado experimentava o beijo singular de todas as harmonias.

A Galileia minúscula era pequenina demais para conter os júbilos de sua alma, no perfumado caminho, desdobrado no azul do Infinito, ante o sorriso doce das primeiras estrelas que fulgiam no fundo do firmamento sem fim.

No dia seguinte, em vão, chamava-se a serva de Deus, no seu tugúrio desalentado, e ante o seu cadáver singelo que sorria serenamente, compreendeu-se que a Discípula, conduzida por Jesus, havia partido para as Alegrias Eternas de Seu Reino.



<< Espírito: Nina – Psicografia: Francisco Cândido
Xavier – Livro: “Doutrina e Aplicação” >>


sexta-feira, 20 de maio de 2016

C O R R E Ç Õ E S


“Se suportais a correção, Deus vos trata como a filhos; pois que filho
há a quem o pai não corrija?” << Paulo (Hebreus, 12:7) >>

Bem-aventurado o espírito que compreende a correção do Senhor e aceita-a sem relutar.

Raras, todavia, são as criaturas que conseguem entendê-la e suportá-la.

Por vezes, a repreensão generosa do Alto – símbolo de desvelado amor – atinge o campo do homem, traduzindo advertência sagrada e silenciosa, mas, na maioria das ocasiões, a mente encarnada repele o aguilhão salvador, mergulha dentro da noite da rebeldia, elimina possibilidades preciosas e qualifica de infortúnio insuportável a influência renovadora, destinada a clarear-lhe o escuro e triste caminho.

Muita gente, em face do fenômeno regenerativo, apela para a fuga espetacular da situação difícil e entrega-se, inerme, ao suicídio lento, abandonando-se à indiferença integral pelo próprio destino.

Quem assim procede não pode ser tratado por filho, porquanto isolou a si mesmo, afastou-se da Providência Divina e ergueu compactas paredes de sombra entre o próprio coração e as Bênçãos Paternas.

Aqueles que compreendem as correções do Todo-Misericordioso, reajustam-se em círculo de vida nova e promissora.

Vencida a tempestade íntima, revalorizam as oportunidades de aprender, servir e construir, e, fundamentados nas amargas experiências de ontem, aplicam as graças da vida superior, com vistas ao amanhã.

Não te esqueças de que o mal não pode oferecer retificações a ninguém. Quando a correção do Senhor alcançar-te o caminho, aceita-a, humildemente, convicto de que constitui verdadeira mensagem do Céu.

EMMANUEL

<< Médium: Francisco Cândido Xavier – Do livro: “Pão Nosso” >>


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LEIA KARDEC PARA ENTENDER JESUS...






domingo, 15 de maio de 2016

Medo de Morrer!...


Que medo de morrer!...
Tenho medo, pois
Nunca aprendi a morrer,
Tenho medo, pois
Não sei como proceder...

Como será? Quando será?
Será que tem dia e hora?
Alguém estará comigo,
Ou estarei só, no meu destino afora!...

Falando em hora e em destino,
Seria a morte apenas um ái?...
Se não, seria apenas um desatino...
Num dia se chega e num dia se vai!...

Pensando assim, seja como for...
Vejo muita gente sofrendo,
Morrer não querendo, devido à dor...
E me pergunto: Estão vivendo?...

Não deve ser assim, não entendo...
Deus é justo em tudo, melhor me ater...
O que sei é pouco; vivo crendo,
Pesquisando, estudando para entender!...

Jesus morreu e reapareceu!
Jesus convive conosco desde os fariseus;
Com Jesus ao meu lado, sem perceber,
Não tenho mais medo, já posso morrer!...


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di.Bernardi – Dez/12
di.bernardi6@gmail.com