quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Livre-arbítrio e presciência divina

 
Há uma grande lei que domina tudo no Universo: a lei do progresso. É em virtude dessa lei que o homem, criatura essencialmente imperfeita, deve, como tudo quanto existe em nosso globo, percorrer todas as fases que o separam da perfeição. Sem dúvida Deus sabe quanto tempo cada um levará para chegar ao fim. Porém, como todo progresso deve resultar de um esforço tentado para realizá-lo, não haveria nenhum mérito se o homem não tivesse a liberdade de tomar este ou aquele caminho. Com efeito, o verdadeiro mérito não pode resultar senão de um trabalho operado pelo Espírito para vencer uma resistência mais ou menos considerável.

Como cada um ignora o número de existências que consagrou ao seu adiantamento moral, ninguém pode prejulgar nesta grande questão, e é sobretudo aí que brilha, de maneira admirável, a infinita bondade de nosso Pai Celeste que, ao lado do livre-arbítrio que nos conferiu, semeou em nosso caminho marcos indicadores que iluminam os desvios. É, pois, por um resto de predomínio da matéria que muitos homens se obstinam em ficar surdos às advertências que lhes chegam de todos os lados, e preferem gastar em prazeres enganadores e efêmeros uma vida que lhe havia sido concedida para o avanço de seu Espírito.

Não se poderia afirmar sem blasfêmia que Deus tenha querido a infelicidade de suas criaturas, pois os infelizes expiam sempre, tanto uma vida anterior mal empregada quanto sua recusa a seguir o bom caminho, quando este lhe era mostrado claramente.

Assim, depende de cada um abreviar a prova que deve sofrer. Por isso, guias seguros bastante numerosos lhe são concedidos para que seja inteiramente responsável por sua recusa de seguir seus conselhos, e ainda, neste caso, existe um meio certo de abrandar uma punição merecida, dando sinais de sincero arrependimento e recorrendo à prece, que jamais deixa de ser atendida, quando feita com fervor. O livre-arbítrio existe, pois, efetivamente, no homem, mas com um guia: a consciência.

Vós todos que tendes acesso ao grande foco da nova ciência, não negligencieis de vos penetrar das eloquentes verdades que ela vos revela, e dos admiráveis princípios que são a sua consequência. Segui-os fielmente, pois é aí, sobretudo, que brilha o vosso livre-arbítrio.

Pensai, por um lado, nas consequências fatais que para vós arrastaria a recusa de seguir o bom caminho, como nas magníficas recompensas que vos aguardam caso obedeçais às instruções dos bons Espíritos. É aí que brilhará, por sua vez, a presciência divina.

Em vão se esforçam os homens em busca da verdade por todos os meios que julgam ter na Ciência. Esta verdade, que lhes parece escapar, segue sempre ao seu lado, e os cegos não a percebem.

Espíritos sábios de todos os países, aos quais é dado levantar uma ponta do véu, não negligencieis os meios que vos são oferecidos pela Providência! Provocai nossas manifestações; fazei que delas aproveitem todos os vossos irmãos menos bem aquinhoados que vós; inculcai em todos os preceitos que vos chegam do mundo espírita, e tereis bem merecido, porque tereis contribuído em larga parte para a realização dos desígnios da Providência.
 
 
ESPÍRITO FAMILIAR - Revista Espírita, outubro de 1863 - Dissertações espíritas
 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Olha que lindo esse texto na porta de um consultório médico:



A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.

O resfriado escorre quando o corpo não chora.

A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.

O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.

O diabetes invade quando a solidão dói.

O corpo engorda quando a insatisfação aperta.

A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.

O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.

A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.

As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.

O peito aperta quando o orgulho escraviza.

A pressão sobe quando o medo aprisiona.

As neuroses paralisam quando a "criança interna" tiraniza.

A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.

O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.

E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?

A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.

O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas Equívocos.

Existem semáforos chamados Amigos.

Luzes de precaução chamadas Família.

Ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão.

Um potente motor chamado Amor.

Um bom seguro chamado FÉ.

Abundante combustível chamado Paciência.

Mas há um maravilhoso Condutor e solucionador chamado Deus!



Autor: Desconhecido

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Mordida e o Veneno


 


Foi ofendido. Ouviu o que não devia e um pouco do que precisava. Foi humilhado, injustiçado, e aquilo bateu forte dentro de si. Acabada a refrega, terminada a contenda, cada um para seu lado e nosso protagonista segue, mordido. Mordido passará a semana, e aquela dor o atormentará, no lazer, no trabalho, no estudo, convertendo-se em um veneno, uma peçonha destilada nas falas, narrações infinitas do fato tormentoso que tanto o machucou.

O trecho narrado se encaixa em diversos personagens, nas lutas cotidianas, nos desentendimentos comuns da vida do trabalho, da escola, da casa espírita e que servem de palco para espetáculos lamentosos, com frases desnecessárias, que terminam por deixar o indivíduo “mordido”, magoado com aquilo tudo e encontrando como solução, espalhar seu veneno por todo seu entorno.

O orgulho ferido figura como causa essencial dessa situação. Afetados em nossa postura, ao invés de buscar a reflexão, partimos para a contra-argumentação, como meninos mimados, a medir espaços com nossos opositores, querendo a réplica, a tréplica, dessa nossa batalha individual. Seguimos sangrando, querendo a revanche da situação que nos abalou, engendrando na mente cenários de como foi ou de como deveria ter sido, massageando medos e inseguranças, centrando na disputa e pouco em soluções.

A capacidade de perdoar e de reconstruir relações se apresenta como competência cicatrizante para estancar a mordida e impedir que esse veneno se espalhe na fofoca e na maledicência. Perdoar é uma ciência que precisamos aprender, e exercitar, setenta vezes sete vezes, como já dito por Jesus.

Passar uma borracha, reiniciar entendimentos, ceder e negociar são ações essenciais aos que buscam a paz e a produtividade nas relações. Pensar nas tarefas, no grupo, nos contextos, sopesando isso com o que motivou o entrevero, é uma postura madura em casos de atritos entre as diversas equipes de trabalho, e que permite relevarmos os problemas, colocando-os no seu devido lugar.

Por vezes, ficamos sem falar com uma pessoa, magoados, e já nem nos lembramos do por quê. Antipatias e questões comezinhas servem de combustível para contendas que se arrastam e que têm a sua gênese, de fato, nas nossas imperfeições, na intolerância, na inveja e no ciúme, e que têm como estopim, por vezes, as questões menores.

No trabalho espírita, diante de um impasse, de um conflito, fujamos do padrão de trocas de impropérios, seguida da mágoa e da fofoca, na polarização destrutiva. Respeitemos o dissenso, como natural das relações, e valorizemos o diálogo, a indulgência e, ainda, a maturidade que nos permite sair do calor do momento e retornar à vida que segue.

O Cristo falou do perdão e do amor aos semelhantes. Kardec nos brindou com a valorização da argumentação e da humildade. Na casa espírita, na busca da construção do homem de bem, na realização de tarefas com amigos de cá e de lá, não se justifica o “climão” após reuniões com ideias divergentes, e sim a busca do diálogo e da reflexão, como forma de aprimoramento contínuo.

Certamente, sabemos que isso é difícil... Mordidos ficamos e arrastamos essa ferida por anos a fio.

Sofremos e fazemos sofrer, no veneno da maledicência, esquecendo a lição do perdão e de como pesam no coração o rancor e a mágoa. Mas reconhece-se o verdadeiro espírita pelo seu esforço, e aí reside toda a nossa força.



MARCUS VINICIUS DE AZEVEDO BRAGA


Obs.: Crônica retirada do site O Consolador – www.oconsolador.com.br
(texto grifado por Helena Sousa; a imagem foi a que o cronista utilizou)